sábado, 12 de dezembro de 2009

O inevitável aconteceu

Ao fim de quase três anos, cruzei-me com eles.
Até à passada segunda feira nunca tinha tido a infelicidade de me cruzar com o ex juntamente com a sua actual companheira. Mas o mundo é demasiado pequeno e quando se vive em cidades tão próximas corremos o risco de ter encontros de 3º grau como o que eu tive.
Ora bem, decidi ir fazer compras de Natal no Fórum Algarve, em Faro, e fui eu a Nicole a minha irmã e o meu cunhado. Eles entraram e eu fiquei para trás, para ir ao multibanco. Quando me junto a eles diz-me a Nicole que estava sentada dentro do carrinho das compras, "está ali o pai!!", eu fiquei qualquer coisa perto da letargia. Olhei para a minha irmã que me confirmou com a cabeça. A minha reacção foi: "Está sozinho?", ao que ouvi uma resposta negativa. Ok...vamos a controlo de danos. "Paulo leva a Nicole ao pé do pai, ele vai saber que estou aqui e vai embora". A Nicole não quis ir, desatou numa birra que não queria ir ver o pai, o que também me deixou muito surpresa. Bem, neste vai e não vai, dou de caras com ele, que ao que parece viu entrar a minha irmã e também andava a tentar fugir do encontro. Eu dou meia volta e fujo literalmente dali para que ele fale à menina e eis que surge uma nova surpresa, ele não fala à filha.
Pois é, como é possivel??? Ele ignorou a Nicole, fingiu que não viu a filha...e mais não consigo descrever.
Com este episódio lamentável surgiu-me uma duvida, serei assim tão má se não permitir que a Nicole vá passar o Natal com ele? Terei eu de sofrer com a falta da minha filha, neste dia que eu considero importante, quando ele até a ignora o resto do ano inteiro? Perguntei a Nicole, mas não consegui chegar a nenhuma conclusão, tão depressa dizia que queria passar comigo, como com o pai.
Não sei que fazer, só sei que estou triste. Mais uma vez conseguiu-me magoar, quando eu já pensava que isso seria impossivel.

domingo, 22 de novembro de 2009

Uma reflexão

Ultimamente, não sei se derivado ao cansaço, tenho andado mais deprimida. E naturalmente quando sinto "aquele" aperto no peito entro quase em pânico, não vá a depressão voltar. Por outro lado percebo também que poderá ser o facto de o natal estar a chegar. Eu adoro o natal, sempre gostei. A família reunida, o convívio a festa, as ruas iluminadas, tudo. Obviamente que com o nascimento da Nicole esse sentimento aumentou mas foi ligeiramente abalado com o divorcio. A ruptura da família que eu tinha criado para mim, o ter de abdicar da presença da minha filha nos dias que são importantes para mim em prol do equilíbrio dela. No ano passado não abri mão dela, aliás desde que me separei nunca abri mão dela. Este ano tenho vindo a mentalizar-me que a devo deixar ir, mas tenho muito medo do que isso me possa fazer. Tenho consciência que estou mais forte mas também sei o quanto fico perdida nos dias em que não a tenho comigo.
A minha relação com ele sofreu algumas alterações mas de momento está novamente "azeda". Houve uma altura que ele chegou a entrar lá em casa e até conseguíamos dialogar ao telefone mas foi tudo por agua abaixo quando ele foi chamado a tribunal. Penso que ele nunca se mentalizou que eu realmente tinha apresentado o incumprimento dele em tribunal.
O que é certo é que a pseudo doença dele passou rapidamente.
Sei que não há propriamente uma regra de quanto tempo se deve esperar até se recuperar de uma relação mas não consigo deixar de contar os meses. Já lá vão 2 anos e 8 meses. Não deveria eu já ter vontade de estar com alguém? Não deveria eu já estar emocionalmente disponível? Mas o que eu realmente sinto é que estou cada vez mais indisponível cada vez mais distante dessa dinâmica de relacionamento. A sociedade impõe o casamento, a sociedade olha de lado para quem vive sozinha, então quando há crianças ... Sinto isso bem de perto, parece que é do género: "coitada, tão novinha e com uma filha" , e o tempo a passar e mais um rotulo de quem ou não recuperou do desgosto, ou então é mesmo porque eu não presto. No entanto no que se refere ao homem já não funciona do mesmo modo. Mas afinal de contas em que sociedade medieval é que vivemos?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Voltei!!!

Já há imenso tempo que não actualizo o blog mas por uma boa razão.

A minha vida deu mais uma volta de 180 graus. Mudei de emprego e, graças a isso voltei a ter uma enorme vontade de viver. Parece um tanto ao quanto exagerado mas na realidade assim não é. Deixei de passar os dias sozinha num escritório para estar rodeada de gente o dia todo. Graças ao meu empenho e muita força de vontade fui promovida e hoje sou responsável por uma equipa de trabalho o que me dá muito que fazer, mas também um enorme prazer.

Sei que estou a pisar em terreno perigoso, pois enfiei a cabeça na areia, ao viver para este trabalho, mas por enquanto faz-me sentir bem e é isso que interessa.

Quanto ao ex, descobri muitas coisas interessantes. Retomei contacto com a família dele, nomeadamente com a irmã, mãe, cunhado e sobrinha. Inclusive voltei a entrar em casa da irmã dele por necessidade de ir deixar/buscar a Nicole. Hoje em dia houve uma inversão de papeis, ou seja deixou de ser ele a contactar a minha família para resolver assuntos da Nicole, e passou a ser a minha ex cunhada a me ligar. Isto porque eu proibi literalmente a minha irmã de servir de intermediaria, esse tempo faz parte do passado. Como ele continua a se recusar a falar comigo, agora é a irmã que liga para mim.

Através da minha ex cunhada, fiquei a saber que é ela quem paga a pensão de alimentos da Nicole. O processo em tribunal continua, não há novidades. Ou seja continua por resolver.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Mais uma surpresa

Como contei num post anterior, o meu esta com gagueira, possivelmente resultado de algo mais grave mas que ele não quer contar. Ontem foi ao desfile de Carnaval da filha, foi uma enorme surpresa encontra-lo lá visto que desde a festa de natal de 2006 que ele nunca mais compareceu em nenhuma festa da escola da Nicole. Como eu lá estava e ele é que chegou e não falou eu também fiquei na minha. Apareceu ele e a mãe. No final do desfile a Nicole entrou na escola e eu fiquei um pouco na conversa fora e reparei que ele continuava lá, à espera de não sei bem o que. Fui embora, e estava eu no carro para arrancar toca o telefone, número anónimo. era ele. Pediu para ir buscar a Nicole ontem pois ia para o Alentejo. Eu disse que sim para a ir buscar a minha casa as 18h. Foi então que tive mais uma surpresa: "diz sempre a Nicole que o pai gosta muito dela". Perguntei mais uma vez o que se estava a passar, que eu tinha o direito de saber, perguntei se ele estava em condições de cuidar da Nicole o que ele respondeu que tinha a mãe e a irmã para o ajudar e não me quis dizer o que se estava a passar. O meu coração ficou muito mas mesmo muito apertado e depois de ir embora não consegui evitar as lágrimas. Amanha vou voltar a falar com ele e no mínimo tentar saber se é uma coisa assim tão grave para a qual me deva preparar e inevitavelmente preparar a minha filha.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Aguenta Coração

Não consigo parar de pensar nele. Se estará bem, no que se terá passado e inevitavelmente nas consequências futuras. Se ontem sentia uma certa satisfação de o saber assim, o que é certo é que com o passar do tempo fui ficando cada vez mais angustiada. Sinto-me mesmo muito confusa. Tenho vontade de o procurar, de tentar saber se está bem, se precisa de alguma coisa mas, não posso fazer isso. Não devo fazer isso, ele não merece.
Ontem à noite revi, mais uma vez, o filme dos últimos meses que passei com ele. Relembrei o que senti, o ele estar comigo com a cabeça noutro lugar, estava junto de mim mas muito ausente, o beijo já não era igual, o olhar era tão vazio. Deixou de me amar, acontece, não o critico por isso. Ninguém manda no coração. Mas tudo o que se passou depois, ou melhor o que se passou durante. Lembro-me que na semana que sai do hospital, ele saia todos os dias as 6h da manhã, fardado para ir trabalhar e aparecia em casa por volta das 22h. Mais tarde vim a descobrir que ele já não trabalhava nessa altura. Que nome se dá este tipo de comportamento? Eu estava doente, com uma medicação muito forte, que me levava a passar os dias inteiros a dormir, e tinha a minha filha com pouco mais de um ano para tratar. Mas ele, mesmo assim, deixava-me sozinha e ia não sei para onde...isto é o quê? Egoísmo? Irresponsabilidade? Falta de carácter? Sei que cometi erros, também tenho as minha culpas, nenhuma relação acaba por culpa de uma única pessoa. Se ele se apaixonou é porque eu não o preenchia eu não fui a pessoa que ele estava à espera. Mas terei eu cometido erros tão graves que justifiquem tudo o que eu senti com as atitudes dele?
Eu gostava de um dia falar com ele sobre tudo isto. Procurar algumas respostas para poder arrumar de vez este assunto na minha cabeça. Tenho um sentimento enorme de culpa, com fundamento? Sem fundamento? Não sei. Reconheço alguns erros, aceito essas responsabilidades. Mas eu queria saber, ouvir da boca dele o que o levou a tratar-me assim.
Agora, ao vê-lo assim, apesar de tanta raiva, do ressentimento que sinto por ele, não consigo deixar de pensar que o devia procurar, ajudar, e mais duvidas nascem, pois quando foi comigo, quando fui eu que precisei, ele virou as costa e não hesitou em me abandonar. Mas eu não tenho essa leviandade. Não sei o que vou fazer, ainda não decidi, também não sei se ele aceita a minha ajuda, se ele interpretará a minha preocupação de outra forma.
Estes acontecimentos foram mais uma lição que a vida me deu. Só se colhe aquilo que se semeia, nunca faças o mal à espera que te venha o bem.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

As voltas que a vida dá..

Bem hoje venho actualizar este blogue na semana passada recebi uma notificação do tribunal de família, para eu no prazo de 5 dias fazer chegar o valor em divida, o meu NIB, e caso eu soubesse a entidade patronal do meu ex. Antes de fazer a carta liguei para o tribunal afim de esclarecer umas coisas e fiquei a saber que o ultimo emprego do meu ex declarado na segurança social foi o ultimo que teve ainda casado comigo. Ou seja, ele se trabalha, não declara...pelos vistos a minha luta será inglória pois sem rendimentos declarados o tribunal não o poderá obrigar a pagar o que deve a tempo e horas pois não?
Passando à frente, neste domingo passei por uma situação que me deixou completamente chocada, o pai da minha filha esta com gagueira...não me perguntem o que aconteceu que eu não sei, ele não me disse. Apenas sei que está num estado lastimável. O meu pai me tinha dito que ele estava doente mas eu não imaginei que estivesse assim tão mal ate ver com os meus próprios olhos.
Recebi a Nicole e perguntei se vinha buscá-la no próximo fim de semana, foi então que me dei conta que ele estava a falar com a voz completamente presa, gaguejava imenso, paralisava...fiquei em estado choque. A minha reacção imediata foi perguntar o que se tinha passado, ao que ele respondeu que esteve internado durante a semana passada e tinha vindo passar o fim de semana a casa e seria novamente internado na segunda feira(ontem). Quando lhe perguntei o que tinha, disse simplesmente que são coisas que acontecem, e foi embora.
Não sei descrever o que senti. No momento exacto em que me apercebi do estado a que ele chegou, senti preocupação, pena talvez, mas passado o choque inicial, senti uma coisa horrível...senti que afinal é nesta vida que tudo se paga. Provavelmente ao lerem isto ficarão chocados com as minhas palavras mas é o que eu sinto, não me orgulho disso, mas é a verdade. Não lhe desejo mal, é o pai da minha filha, mas depois de tudo o que eu passei, tudo o que eu sofri, é o que eu consigo sentir.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quem me leva os meus fantasmas..

A cada dia que passa eu me fecho mais. Criei umas enormes muralhas ao meu redor e instalei-me confortavelmente. Confesso que este sentimento de conforto na minha solidão me assusta, mas é mais forte que eu. Não posso dizer que sou feliz, mas também não me posso queixar muito tendo em conta todos os dias negros que vivi. As nuvens no horizonte vão deixando passar alguns raios de sol que vão alegrando esporadicamente os meus dias. E são esses raros momentos de luz que vão dando vontade de me acomodar.
Sinto-me segura agora. Tenho a minha estabilidade emocional recuperada e não tenho a mínima vontade de correr o risco de voltar a sofrer. Penso que seja legitimo da minha parte ter todos estes receios mas, então, que vou fazer? Acomodar-me a uma vida inteira neste estatuto? Viver exclusivamente para a Nicole, para o trabalho? Não é aliciante de modo nenhum. Mas tenho imensas duvidas e receios. Tenho um fantasma enorme no meu sótão e ainda não descobri como o exorcizar. Só espero não criar laços de amizade com o dito cujo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Baby Steps

Muita coisa aconteceu nestes quase 2 anos, muita coisa mesmo...
Como já disse a minha "obsessão" passou. Como tudo passa nesta vida. Aquele sentimento forte, obsessivo, quase doentio que me fazia sofrer tanto, passou. Como? A resposta é fácil, mas o seu processo foi bastante penoso. As atitudes desprezáveis dele como pai perante a minha filha, deram asas a que os meus sentimentos por ele se transformasse em algo muito próximo do desprezo.
A julgar pelas inúmeras vezes que eu já revi o "filme" na minha cabeça, devo dizer que a "machadada" final foi proferida, também ela, e ironicamente no dia 18/03/08. Ou seja 365 dias após a minha saída de casa. No dia do terceiro aniversário da Nicole, o primeiro após o divorcio, o pai não esteve com a filha, não a procurou nem tão pouco um maldito telefonema deu à filha. Por muito doente que eu estivesse, por muito cega de amor por ele que eu estava, o certo é, que esta atitude mexeu comigo. Fez-me "acordar". Juntando a este episódio, mais uns quantos, alguns já antigos, mas aos quais eu estupidamente não dava valor, fui progressivamente perdendo o encanto por uma pessoa que no fim de tudo me fez tanto mal e tão levianamente.
As coisas mudaram de tal forma que eu já nem consigo dizer nossa filha. A Nicole é minha filha, no máximo com alguém que não aquele, como devo dizer? "homem"?
Em conversa com algumas amigas, também elas divorciadas, notasse uma frase demasiado comum no final de um relacionamento que é: eu não conheço este homem. E não quero de maneira nenhuma ser fimininista , o que vale para a mulher também vale para o homem. Eu apenas falo da minha experiência. Mas voltando atrás, isto é real, isto acontece, mas como? Ou eles(elas) são uns excelentes actores, ou as mulheres são mesmo muito burras. Eu quero acreditar que há aqui um meio termo. Mas se analisarmos algumas situações pós divorcio, chegamos à conclusão de que se cometem as maiores barbaridades. Quer seja para magoar deliberadamente o ex, ou para se "livrar" de alguém que não se quer. Quando nestas situações há crianças, elas infelizmente apanham por tabela. Tomando como exemplo esta atitude do meu "falecido" em não ter partilhado com a filha o aniversario dela temos uma prova disso. É claro que a esta acrescento mais umas quantas mas fica para a próxima...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A pedra no meu sapato...

Já passaram 22 meses desde a minha separação. Supostamente eu deveria ter ultrapassado todos os sentimentos negativos, toda a magoa, toda a culpa e tudo o que advém de um casamento fracassado...eu pensava que sim, que tinha ultrapassado, mas afinal não ultrapassei...e porquê? Não sei...sinceramente não sei, sinto que o divorcio em si, ficou para trás. Tenho dias em que sinto nostalgia dos tempos em família, dos programas a 3 que tanto pensei fazer mas que no fim nunca os cheguei a ter mas, sinto que essa parte aos poucos e poucos vai ficando para trás. O que efectivamente não consigo ultrapassar é de facto a Nicole e a dita cuja.
Não consigo, é a minha pedra no sapato. É rancor, é magoa, é ciume até, mas não consigo controlar estes sentimentos. O problema é que sofro mesmo. As vezes chego a pensar que se um dia ele a deixar, os meus sentimentos em relação à convivência da Nicole com outra mulher seria diferente. Mas com esta não consigo...não consigo mesmo, esta foi a que ajudou ao fim...foi por ela que ele me abandonou. É claro que depois toda uma seria de episódios posteriores que não abonam nada a favor da senhora mas enfim...
Não gosto de ter estes sentimentos, não me agrada ser tão rancorosa mas não consigo mudar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Balanço...


Quando me separei, graças a Deus tive muitos amigos por perto. E alguns deles também divorciados, como tal, com a experiência de já terem passado por aquilo que eu estava na altura a passar, me aconselharam a ter calma, que um dia aquela dor, iria passar. Pouco mais tarde, quando eu falava no ódio, raiva e revolta que estava a sentir, voltaram a dizer, calma isso vai passar, vai chegar o dia em que não sentirás nada, ele vai ser-te indiferente, e irá apenas ser o pai da tua filha.
Pois bem, acho que finalmente estou a entrar nesse capitulo. Não poderei dizer que me é totalmente indiferente, porque não consigo deixar de sentir revolta, mas, neste momento a revolta centrasse no comportamento que ele tem como pai.
Uma coisa incrível que me tem acontecido e que eu pensei jamais sentir, é que eu chego a arrepiar-me quando penso que ele me esta a tocar, ou quando oiço a voz dele. Passada a fase da dor, consigo pensar com discernimento e cheguei a conclusão que a atitude que ele teve comigo foi no mínimo leviana. E não posso jamais nutrir sentimentos positivos por uma pessoa que me tratou de uma forma tão pouco digna.
Comecei então a recordar episódios passados, não só da altura da separação, mas por exemplo, poucos dias depois de eu ter tido a minha filha, lembro-me que ele me disse que chegou a pensar deixar-me sozinha na sala de partos porque eu lhe atirei com uma compressa. Na altura senti-me profundamente triste por o ter magoado. É claro que hoje acho ridículo, como é que ele pode pensar em me abandonar, quando eu estava a sofrer tamanha dor física, só pelo o facto de eu num acto de desespero ter atirado com uma compressa. Juntando a este mais uns quantos episódios idênticos que demonstram o tamanho egoísmo que ele tem, foi me ajudando a eliminar por completo qualquer sentimento romântico que eu poderia acalentar.
Nunca me vou arrepender daquilo que vivi com ele, tive momentos bons, embora os momentos maus superem sem margem de dúvida tudo aquilo que tive de bom. Mas depois tenho a minha filha... Há mais ou menos uma semana, uma amiga perguntou-me, se caso pudesse, eu voltaria a fazer tudo outra vez. Fiquei surpreendida com a resposta automática que tive. Foi um Sim! Convicto e sem hesitações. É claro que ela quis saber o porquê do meu Sim determinado. A resposta era clara como água para mim...qualquer felicidade em que a minha filha não esteja incluída não será por certo uma hipótese a considerar por mim. Ele não é um exemplo de pai, nem tão pouco aquele pai que eu sonhei e desejei para os meus filhos mas, infelizmente é o pai que ela tem. Não lhe desejo mal, mas também não lhe desejo bem. Espero apenas que ele esteja por perto porque sei o quanto a Nicole o ama, e não quero que a minha filha sofra. Se um dia ela se afastar, quero que seja por iniciativa dela, jamais quero que ela um dia me diga que não tem contacto com o pai por culpa minha. Só eu sei o que me custa saber que ela vai para junto da mulher que ajudou a cimentar o fim do meu casamento e consequentemente destruiu os meus sonhos. Não conheço a senhora, não sei se é boa ou má, gorda ou magra, simplesmente não sei...mas sei que vou ter que permitir que a Nicole conviva com ela e isso...bem é qualquer coisa como ..GRRRRRRRRRRR...mas enfim, uma etapa de cada vez...pode ser que daqui a algum tempo eu também possa dizer que ela já não me aquece nem me arrefece. Afinal de contas sei bem a peça que ela tem lá em casa!!!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Dias de chuva

Esta semana tem sido longa. Os dias custam a passar. Tenho voltado a ter dificuldades em dormir. No entanto consegui passar a semana sem recorrer aos químicos. Acho que toda esta minha inquietação se deve ao facto de ter pessoas que me são queridas a passar por uma situação, de uma maneira ou de outra, igual à que eu passei.

Eu adoro dias de chuva apesar de ficar deprimida com eles. Mas gosto de ouvir os pingos a bater na janela. Se à noite chover pode ser que a melodia das gotas a cair me embalem e eu consigo desligar o interruptor dos meus alertas pessoais. Já há longos meses que não vejo o ex. E o facto de saber que as semanas vão passando e que o dia de ter de o enfrentar em tribunal se aproxima tem-me deixado nervosa...demasiado nervosa mesmo. Toda a minha gente me diz que é paranóia minha mas eu é que sei o que vai cá dentro. E ainda me sinto demasiado vulnerável aquela personagem. É simplesmente inexplicável o receio que tenho de o voltar a ver. Costumasse dizer que longe da vista longe do coração, e tenho demasiado medo daquilo que eu possa vir a sentir quando estiver na presença dele. E sobretudo não quero sequer ter em hipótese deixar transparecer aos olhos dele os meus sentimentos.

Mas nem tudo é mau ultimamente. A Nicole está mais calma e anda imensamente carinhosa comigo. Não há nada melhor que ouvir dizer: "gosto muito de ti mamã", bem eu fico nas nuvens, e sinto capaz de enfrentar este mundo e o outro.

No Domingo à noite, já não sei porque razão, ela me diz, que esteve a ver fotografias minhas e do pai em casa da avó. "Tinhas flores na mão e estava com um vestido branco", percebi logo que tipo de fotografias tinha estado a ver com a avó. O que eu não percebi foi porque raio a avó foi mexer naquelas fotografias. Sinceramente pensava que elas já não existiam. E sinto um arrepio ao imaginar a cena deles a verem as fotos. Isto é, a avó, o pai, a menina, e claro esta a dita cuja. è no mínimo de mau gosto...nem quero imaginar o que levou a tal cenário. Por isso eu senti as orelhas quentes no domingo....

Quero que se lixem todos....

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

As voltas com a miuda...

Tenho andado ocupada com a minha filha. Parece-me que ela esta a começar a perceber a sua situação familiar. Noto que quando vem do pai, aos domingos, me rejeita, no entanto na segunda de manha esta tudo bem. Comecei a ignorar este comportamento e não a pressiono para estar comigo, embora eu esteja deserta de tantas saudades dela. agora começam as perguntas: mãe porque o pai não vive connosco? mãe queres que eu diga ao pai para te dar um beijinho? meu Deus o que se passa com a minha filha? onde ela vai buscar tais ideias?
em conversa com uma amiga, ela disse-me que talvez não seja má ideia levar a menina a um psicólogo. estou a ponderar essa sugestão. acho que a minha filha faz tudo para chamar a atenção. confesso que estou um pouco confusa pois eu vivo literalmente para ela, não sei onde posso eu lhe dar mais atenção.
acho que vou seguir o conselho da minha amiga e levar a miúda a uma consulta de psicologia. vou estar atenta aos seus comportamentos.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A minha escolha errada

Falei contigo pela manhã. Liguei-te para falar com a Nicole. Ouvi a tua voz e estremeci de dor. Dor que tu tens o dom de provocar ao transmitires tamanho desprezo. Provocas-me um imenso sentimento de impotência por não conseguir alterar isso. A tua voz é fria e impessoal, parece que aniquilaste todas as recordações de mim. Que mal eu te fiz para teres essa reacção? Atrevo-me mesmo a dizer que me odeias.
Cheguei à conclusão que sou incapaz de voltar a amar. Não te consigo esquecer. Fico feliz de ter uma filha fruto deste amor. Se pudesse, pedia-te uma última coisa. Pedia-te para te lembrares sempre de mim, para te lembrares daquilo que fomos, daquilo que vivemos. Mas como te posso pedir isto, se nem um simples olá te posso dizer?
Vi-te sorrir, vi-te chorar, vi-te dormir, passei muitos anos contigo, conheço os teus medos e tu sabes os meus, conheço-te bem. Mas ainda assim tive de te dizer adeus. Tu foste aquele amor! Foste aquele que eu escolhi. Adeus meu amor, meu amigo, meu companheiro.
Quando foste buscar a Nicole, apercebi-me que sou incapaz de te olhar. Sou incapaz de fixar os teus olhos. Talvez por ter medo que consigas ler nos meus tudo aquilo que sinto. Fazes-me vibrar, fazes-me estremecer. Prometi a mim mesma que não ia mais pensar em ti, não ia mais chorar por ti, suspirar por ti, mas não sou capaz. Não sou capaz de manter minha promessa. Tua ausência é um castigo. Esta dor dói mais que a traição que passou por aqui.
Gostava que não estivesses arrependido daquilo que vivemos. Queria que pensasses que valeu a pena. E que jamais esquecerás as nossas alegrias, as nossas vitórias, o nosso amor. Amor esse que ainda guardo no meu peito junto com as lembranças de ti. O teu sabor, o teu cheiro, tudo o que é teu. Não consigo avançar, partir pra outra como tu já partiste. A minha vida ficou presa em ti e não consigo evoluir. Toda agente me diz que sou louca por te amar, que sou louca por querer quem não me quer.
Se pudesse eternizar minha vida numa palavra seria sofrimento. Nunca deste valor ao amor que te dei. Eu previ o nosso fim. Eu sempre soube, no fundo eu sempre soube.
Um milhão de palavras não irão te trazer de volta, sei isso porque tentei-o. Nem tão pouco um mar de lágrimas, sei-o porque as chorei..

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Uma carta do passado...


O natal já lá vai...
O primeiro natal desde que partiste. Doeu muito. Não estiveste presente quando a Nicole chorou de medo porque o André se vestiu de Pai Natal, não lhe passaste a mão na cabeça para lhe afastares o medo. Não a viste delirar de alegria à medida que abria cada presente. Não a chamaste a atenção por estar a comer muitos doces. Não a foste adormecer com os novos "bebes" que recebeu, não me abraçaste à noite...nem me vais abraçar mais nenhuma noite. Esqueceste-te de nós. Partiste sem hesitar, abandonaste o teu lar, a tua família e a tua casa. Isto tudo doeu. Doeu não teres ligado para falares com a menina. Estavas junto de outra família e esqueceste-te da família que criaste.
Estou novamente em crise. Luto contra esta depressão que me assola. A minha vida é um sacrifício que tenho de viver por aquela criança que trouxe ao mundo. Tu não a queres, e isso doí. A minha vida não podia estar pior. As tuas lembranças não me largam. Penso em ti 24 horas por dia. Vejo-te em todo o lado e em tudo o que faço. Olho para a minha filha e vejo-te a ti. Que será que tu vês quando olhas para ela?
Tenho uma dor no peito. Porque me deixaste? Porque desfizeste o lar que construimos? Porque destruíste a família que criamos? Foste para melhor? Olha eu não. Eu vim para pior. Não paro de pensar como seria bom parar com esta dor. Mas ela só para quando o meu coração deixar de bater. E para deixar de bater eu teria de abandonar a minha filha...e tu não serias Pai para ela, tu não és Pai para ela.
E nem com essa dor, com esse desgosto, com essa desilusão, o meu amor por ti se abala.
Hoje estou imensamente triste. Sinto a tua falta mais do que nunca. Já quase há um ano que estamos separados e tu ainda circulas no meu sangue, ainda fazes o meu coração bater. Amo-te e Odeio-te.
Depois de todo o mal que me fizeste eu recebia-te de braços abertos. Contra tudo e contra todos. Mas tu foste fraco. Não lutaste contra aqueles que nos queriam separados. Como tu próprio disseste:" é tarde demais".
Nunca é tarde. Nunca é tarde para amar! E eu amo-te.
Hoje liguei-te. Liguei-te mais uma vez. Mas não consegui falar. As palavras atropelaram-se umas às outras, os pensamentos turbilharam as emoções fluíram e tu desligaste...
Todas as noites invades os meus sonhos. Entras sem pedir licença e instalaste. E eu durmo feliz. Só mesmo em sonhos sou feliz. Questiono-me se voltarei a sorrir, se voltarei a amar. Mas o meu coração esta ocupado, como voltarei a amar. És só tu que eu quero, és só tu que eu amo. Eu vivo em ti e tu vives em mim mas sem mim!!!!!!!
Tenho tanta mágoa em mim. Não tenho vontade de viver, não consigo despejar este sentimentos para ninguém. Quero desabafar com a minha irmã mas ela irrita-se só de ouvir o teu nome. Ninguém compreende porque eu estou tão presa em ti, porque ninguém sabe o quanto te amo.
Se o tempo voltasse atrás e se eu soubesse o que sei hoje, voltaria a fazer tudo outra vez. Fui feliz contigo...
Gostava de saber se és feliz, gostava de saber se valeu a pena deitares tudo a perder, se valeu a pena o sacrifício? Valeu a pena trocares tudo o que trocaste?
Nunca saberei...
Eu nunca te trocava por nada. Prometeste-me que seria até que a morte nos separasse. Mas que eu saiba ambos estamos vivos.
Porque desvaneceu o teu sorriso, quem roubou o nosso amor? São mais quentes os braços para onde fostes? É mais doce o beijo que recebes? É maior o amor que ela te dá? Fazes parte da minha vida. Estás ligado a mim para toda a vida. E durante toda a vida irei esperar por ti. E se um dia reconsiderares, se algum dia quiseres voltar, eu te irei receber. Nunca falarei do passado. Mas resgatarei os sonhos por anos adormecidos e farei deles o meu lema de vida. Só então voltarei a sorrir, só então adormecerei feliz.
Provavelmente estou louca por te amar assim. Pois assim seja serei louca toda a vida. Pois toda a vida te amarei.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O inicio do fim...




























Hoje, passados já, 19 meses, renascida das cinzas, acho que consigo ter o discernimento de fazer um balanço claro e exacto do que se passou. Separei-me no dia em que a minha filha festejou o seu segundo aniversário. Ele quis que eu saísse de casa...e eu sai. Segundo ele diz, deixou de me amar, é claro que como "homem" que é, primeiro arranjou uma substituta. Hoje em dia nem sequer nos falamos. Ele diz que não consegue ter uma conversa comigo, e eu não consigo olhar para a cara da pessoa que destruiu tudo em mim.

Em Junho deste ano, deixei de tomar a infindavel lista de antidepressivos e calmantes que o meu psiquiatra me receitou. Foi à terceira tentativa mas consegui. Por recomendação médica ainda hoje os teria de tomar mas, cansei-me de ver o meu dia a dia sob uma neblina de calmantes. Hoje vivo para a minha filha, é por ela que me levanto todos os dias de manhã. Vivo aterrorizada por sentir que recai sobre mim toda a responsabilidade na educação dela. O pai, embora a venha buscar quase todos os fins de semana, não sinto que contribua muito para a sua formação. Tenho a preciosa ajuda do meu pai e da minha muito amada irmã e um super cunhado que estiveram sempre, sempre ao meu lado.

A razão que me levou a criar este blog, é muito simples, desabafo, e se calhar existe a remota hipótese de alguém ler aquilo que escrevo e esteja a passar por igual situação, e eu sou a testemunha viva de que, doí, doí muito um divorcio, principalmente quando ainda se ama, mas agente sobrevive.
















"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante."